terça-feira, 22 de maio de 2012

O alto custo da obtusidade - O caso das sacolinhas

Por esses dias, estive em Carapicuíba, cidade que esta localizada na zona oeste de São Paulo.  Num supermercado desses de vila, próximo a casa dos meus pais vi uma placa que me chamou a atenção. Continha uma mensagem que justificava o fim do uso das sacolas plásticas nos estabelecimentos comerciais ( Lei 10.574 - janeiro a abril 2012), ressaltando ser seu uso o principal causador dos desequilíbrios ambientais, da poluição dos rios, do entupimento de bueiros, e por fim, a maior contribuinte para o surgimento das enchentes.   Ao final nos convidava a “salvar o planeta”.
Através do lobby da  consciência ambiental, oportunistas do varejo procuraram aumentar seus lucros  retirando  as sacolas plásticas de circulação. 

            Para a tristeza de alguns, digo que a mensagem contida no cartaz não era verdadeira, pelo menos não em sua totalidade. As pessoas geralmente buscam respostas fáceis a questões complicadas, e nesse caso em especial, as causas da poluição e das enchentes possuem uma explicação um pouco mais complexa. Para entendermos um tanto mais sobre o assunto, segue um documentário que versará sobre a evolução urbana de São Paulo.



Documentário Entre Rios - Histórico da evolução urbana de São Paulo Fonte: http://www.youtube.com/watch?v=Fwh-cZfWNIc


Se você assistiu o documentário, já percebeu que o problema da enchente não tem quase nada a ver com as sacolinhas... Sua explicação está mais ligada à impermeabilização do terreno do que qualquer outra coisa. Merece destaque o embate ideológico que se deu na década de 1920, na poli USP, entre os engenheiros Francisco Saturnino de Brito e Francisco Prestes Maia. De um lado temos a arte pela arte, do outro temos um pensador a serviço de interesses privados.
Sou jovem, mas posso afirmar que quando estudamos história, somos usualmente levados a interpretá-la de forma romântica. Em termos, tudo o que aconteceu no passado deve ficar no passado, foi resultado do estágio inferior em que a sociedade viveu, hoje felizmente superado. Porém, vale lembrar, a realidade prova o contrário.
O plano de avenidas de Prestes Maia pode ser considerado como um desses grandes erros do passado, pois privilegiou o uso da rodovia em detrimentos de outros modais, como por exemplo a ferrovia ou a hidrovia. Imagine você ir de Carapicuíba a São Paulo de barco, através do rio Tiete!? Ou mesmo que São Paulo possuísse um complexo logístico que interligasse vários modais?  
Quando pensamos estar finalmente no estágio mais avançado da vida social, quando finalmente temos todos os aparatos técnicos, científicos e informacionais para a realização de uma nova história, percebemos que os mesmos erros do passado voltam com outros nomes...
Rodoanel Mário Covas - O símbolo da insistência em  um modal saturado.