terça-feira, 10 de novembro de 2015

Comentários sobre o livro Capitalismo para iniciantes: a história dos privilégios econômicos



No principio era o verbo... 
Eu trabalho, Tu trabalhas, Ele trabalha.
Com a chegada do capitalismo, mudou o verbo do principio.
Eu lucro, Tu trabalhas, Ele reclama da inflação. 
Vilmar Rodrigues
 
Imagine poder reunir num mesmo livro a genialidade de um texto simples e objetivo ao traço artístico de um grande cartunista, e tudo isso com um toque de humor crítico todo especial! Bom, foi exatamente o que notei em "Capitalismo para iniciantes: a história dos privilégios econômicos" de Carlos Eduardo Novaes e Vilmar Rodrigues.

O livro contém o principal, atravessa a história dos sistemas produtivos (escravista, feudal, mercantilista, capitalista), revela a exploração por traz de cada sistema, a opressão/violência econômica e religiosa sofrida pelos povos no passar dos tempos, a sociedade do consumo, além de privilegiar uma interpretação bem-humorada e interessante do desenvolvimento do capitalismo brasileiro e suas nuances políticas. Enfim, trata-se de um livro para iniciantes, mas que também pode servir a leitores mais experimentados.


Trecho sobre os Bancos:


"Plim Plim – Pequeno intervalo para um comercial dos bancos.

Os bancos aparecem sempre, nos comerciais de televisão, como a instituição mais humanitária do mundo. São simpáticos, solidários, amigos, mostram-se dispostos a quebrar todos os nossos galhos. Mas vocês já repararam uma coisa? O banco só empresta dinheiro pra quem tem! (E a que juros!!)

(...)

Os banqueiros e financistas fazem todo tipo de rolos, de negociatas, de falcatruas, de falências fraudulentas etc. etc. Agora, me respondam: alguém aí já viu algum dono de banco ou financeira ir para a prisão?"   

domingo, 1 de novembro de 2015

CONHEÇA OS SUPER RICOS BRASILEIROS – Saiba como você financia a fortuna deles



Os ricos do Brasil são muito mais ricos do que você imagina. São super-ricos. E ficam mais e mais ricos a cada dia que passa. Existem duas razões principais para isso. Os impostos da classe média e dos pobres vão para o bolso dos ricos. E os ricos pagam menos imposto que a classe média e os pobres.
Só agora a gente está entendendo quem são os super-ricos do Brasil. A análise tradicional, feita com as pesquisas do IBGE, não dão conta da realidade. Um novo estudo realizado pelos economistas Rodrigo Orair e Sérgio Gobetti, do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), chega mais perto. Eles analisaram os dados das declarações de imposto de renda das pessoas físicas. As conclusões são chocantes.
Segundo o IBGE, a renda média do 1% mais rico do país foi de R$ 214 mil em 2012. Mas segundo o estudo do IPEA, a renda anual do 1% mais rico é aproximadamente R$ 575 mil. Explicação: o IBGE não capta toda a renda das pessoas mais ricas, que tem muitas rendas provenientes do capital (como aplicações financeiras, aluguéis, lucros e dividendos).
R$ 575 mil já é uma boa grana: mais de R$ 40 mil por mês. Mas esses 1% ainda não são a elite. Os super-ricos do Brasil ganham acima de 160 salários mínimos por mês. São 0,05% da população economicamente ativa.

Os super-ricos brasileiros possuem um patrimônio de R$ 1,2 trilhão. Isso é 22,7% de toda a riqueza declarada por todos os contribuintes do Brasil. Essas 71.440 pessoas têm renda anual média de R$ 4.17 milhões, uns R$ 350 mil por mês. Tiveram em 2013, ano analisado pela pesquisa, um rendimento conjunto de R$ 298 bilhões.
E em 2015? Não sabemos, mas é seguro dizer que estão bem mais ricos que em 2015. Quem tem muito capital investe e recebe rendimentos financeiros enormes. Os juros no Brasil são sempre muito altos, mas agora estão estratosféricos. Trabalhar não tem nada a ver com a fortuna crescente dessa turma. Neste nível de renda, trabalha quem quer, não porque precisa.
Qual o negócio mais lucrativo e seguro do Brasil? Emprestar dinheiro para o governo. No Brasil, como na maioria dos países, as contas públicas não fecham no final do ano. Se você tem muita grana, não precisa de criatividade para enriquecer mais e mais. Basta comprar títulos públicos do governo, que paga juros altíssimos para financiar sua dívida. E de onde vem esse dinheiro para pagar os juros? Do Tesouro Nacional, dos impostos que todos os brasileiros pagam.
Mas alguns pagam mais que outros. O detalhe mais cruel sobre a desigualdade brasileira está aí. Os super-ricos brasileiros, esses que ganham mais de 160 salários mínimos por mês, pagam só 6,51% de sua renda de imposto de renda. Você leu certo. Um assalariado que ganhe R$ 5 mil por mês paga 27,5% de imposto de renda. A elite paga 6,51%, como demonstra o estudo do IPEA.
Como isso é possível? É que 65,8% da renda total desses super-ricos são rendimentos considerados isentos e não-tributáveis pela legislação brasileira. É o caso dos dividendos e lucros. Na prática, o imposto de renda aqui só é progressivo do pobre até a classe média, que é justamente a fatia da população que mais paga imposto de renda. É uma receita perfeita para aumentar cada vez mais a desigualdade social no Brasil. É garantia de injustiça, ignorância, violência. E até de atraso em outros campos. Se fala muito que o Brasil tem pouca inovação tecnológica, mas quem vai arriscar capital investindo em inovação, se você pode faturar com juros altos e não pagar quase nada de imposto?
Essa bizarria cruel é criação brasileira. Todos os países decentes, sejam ricos ou emergentes, tributam todos os rendimentos das pessoas físicas. Não interessa se a renda do salário, de aluguel ou de dividendos. É o justo. É o mais eficiente para o bom funcionamento dos países.
O estudo do IPEA não captura com precisão absoluta a pirâmide social brasileira. Não dá conta de dinheiro escamoteado, de caixa 2 ou remessas enviadas ao exterior. Mas já dá uma noção do tamanho do escândalo. Agora, como é focado no Imposto de Renda, não leva em consideração outra grande injustiça do nosso sistema tributário, que são os impostos indiretos.
Os super-ricos pagam o mesmo imposto sobre produtos que você, eu ou a vovó que recebe Bolsa Família. Pagam o mesmo imposto pelo arroz, o café, o remédio, o fogão. Isso significa que proporcionalmente o pobre paga muito mais imposto a classe média. E infinitamente mais que a elite.
Os super-ricos não são os vilões dessa história. As regras estão aí para beneficiá-los. Não é ilegal. Certamente há na elite gente que topa abrir mão de suas vantagens, em benefício de quem mais precisa... Mas, como era de se esperar, existem super-ricos que atuam diretamente para que esse estado de coisas continue exatamente assim: juros altíssimos e taxação mínima. Basta isso para os donos do capital ficarem mais e mais ricos a cada ano que passa, sem trabalho, sem esforço, sem contribuir para o país.
Os super-ricos têm muito poder. Influenciam muito no debate político e econômico. Abundam na imprensa argumentos a favor de que as coisas se mantenham como são. E são super-ricos os financiadores das campanhas da maioria dos políticos, claro.
A recessão radicaliza a injustiça. Penaliza o trabalhador e o empreendedor, o importador e o exportador, o estudante e o aposentado. Esta recessão não veio do espaço sideral. Foram tomadas decisões erradas no passado? Claro, muitas, desde 1500. Mas não dá para mudar o passado. O futuro felizmente está ao nosso alcance.
Esse ano e os próximos serão muito difíceis. O cenário internacional é hostil. O cobertor está curto. É imoral e improdutivo continuar enriquecendo 0,5% com o dinheiro dos impostos dos 99,5%. Enfrentar os privilégios dos super-ricos é a pauta política e econômica fundamental de 2015 e dos próximos anos. O resto é resto.

Fonte: http://noticias.r7.com/blogs/andre-forastieri/2015/08/28/conheca-os-super-ricos-brasileiros-e-saiba-como-voce-financia-a-fortuna-deles-como-diminuir-a-desigualdade-parte-1/

quarta-feira, 29 de julho de 2015

Por que jogar na mega sena é fria?

"Outra esperança sem esforço e sem lógica que o Estado organiza para tributar ainda mais a população é a miragem impossível da loteria, de que participam dezenas de milhares de infelizes apostadores por semana, em um sistema cuja possibilidade de acertar é menor, estatisticamente, do que a de ser atingido por um raio, mas que alimenta a esperança mágica de escapar da pobreza e da miséria".  
Samuel Pinheiro Guimarães  


A gente faz a "fézinha" toda semana e nunca rola o tão sonhado prêmio de milhões de reais que vai finalmente nos tirar da pobreza e do emprego tedioso e rotineiro. O que falta? Por que não conseguimos? Falta , falta sorte... podemos pensar... Se a sorte tem faltado para nós, simples mortais, a mesma não faltou para alguns políticos e delegados que já chegaram a ganhar 10 vezes seguidas em períodos bem curtos, como podemos averiguar no links abaixo...

http://www1.folha.uol.com.br/folha/brasil/ult96u64015.shtml

https://www.youtube.com/watch?v=x6sePAAI-sc

Além da enganação que leva milhares de brasileiros, num sonho utópico de riqueza, a gastarem parcelas significativas de seus salários em apostas desse gênero, os jogos da loteria dão margem para atos de corrupção de vários tipos. O vídeo abaixo, aponta algumas dessas "brechas". 
Por conta de todas estas tristes constatações, só podemos concluir que os jogos da loteria são "fria"!  

segunda-feira, 20 de julho de 2015

SObre a inveja nossa de cada dia...

"A inveja é tão vil e vergonhosa que ninguém se atreve a confessá-la". Ramon Cajál

Como muitos sabem, o autor desse Blog é músico nas horas em que pode. Recentemente, resolvi vender uma peça do meu instrumento que eu nunca havia usado e também não tinha planos de usar futuramente. De inicio, trocar por algo do meu interesse ou mesmo vender me pareceu uma boa ideia. Anunciei num desses sites de classificados e vendi rapidamente. Até aqui tudo bem, o problema é que o comprador, procurando não ser enganado me adicionou  no facebook, para que a negociação tivesse mais segurança. Até aqui, tudo bem. O problema foi quando a mercadoria chegou até ele. A pessoa postou uma foto da nova aquisição, elogiando a qualidade do produto e gabando-se de ter pago um preço interessante, estava feliz da vida... Foi o bastante para que no mesmo instante a peça vendida me fizesse a maior falta!
Esse "causo" real que divido com vocês ilustra o quanto a felicidade alheia pode nos incomodar. A força motriz de tal incomodo está na inveja, esse sentimento tão complexo e indigno. 
A palestra do prof. Leandro Karnal, que hoje sugiro, explora de maneira brilhante as variantes do tema. Vale a pena conferir!


sexta-feira, 17 de julho de 2015

Sobre a esperança e o desespero

É verdadeiro argumento que diz que a esperança faz viver? Sim e não. Quer dizer, muitas pessoas só conseguem suportar suas desilusões sucessivas se cada vez mais se consolar com novas esperanças.  A vida continua assim., de esperanças em decepções, de decepções em esperanças.  Não podemos condenar tais pessoas, cada um vive como pode. Mas, se a esperança faz viver, na verdade faz viver mal: de tanto se esperar viver, não se vive nunca, ou então só se vive essa alternância de esperanças e decepções, na qual o medo (já que não há esperança sem temor) não cessa de nos afligir. Melhor seria sair desse ciclo, e no fundo é o que chamo de sabedoria ou desespero. Na verdade, não é a esperança que faz viver, é o desejo, de que a esperança é apenas uma das formas, e não a única nem a principal.
André Comte Sponville, Trecho de "O amor à solidão"

domingo, 7 de junho de 2015

Reflexões sobre ser professor ou Carta para um professor frustrado

Olá meus caros, gostaria de compartilhar com vocês um fragmento de  texto do professor Leandro Karnal que fala sobre os anseios que professor possivelmente enfrentará em sua carreira.

Na nossa cultura há um modelo de professor: Jesus. A maioria absoluta das pessoas no Brasil é cristã, mas a alegoria serve também para os que não são. Tomemos a história de Jesus independente da nossa orientação religiosa. Comparemos: Jesus teve 12 alunos escolhidos por ele! Eu tenho 30, 60, 100, escolhidos por um rigoroso processo de seleção: inscreveu, pagou, entrou. Jesus teve alunos em tempo integral por três anos: eu tenho por duas ou quatro aulas semanais, por um período mais curto. Os alunos de Jesus deixaram tudo para segui-lo, o meu não deixa quase nada e não quer acompanhar nem meu pensamento, quanto mais minhas propostas existenciais. Fiel aos novo ditames do MEC, Jesus deu um curso superior em três anos. Para quem acredita, Ele fazia milagres, coisa que nós certamente não fazemos naquele sentido. A aula, de Jesus, assim, era reforçada por work-shops. A auto estima e a confiança de Jesus era enorme: o cara simplesmente dizia que era o Filho de Deus, que ressuscitava mortos, andava sobre as águas, passava quarenta dias sem comer e não tinha medo de ninguém. Eu não tenho esta convicção. Melhor: as aulas eram ao ar livre, sem coordenação, sem direção, sem colegas e os pais dos alunos não apareciam para reclamar! Bem, após 3 anos de curso intenso com todos estes reforços, chegou a prova final. Na agonia do Horto os três melhores alunos dormiram, quando o Mestre estava chorando sangue. O tesoureiro da turma denunciou o professor à Delegacia de Educação por 30 moedas. O líder da classe, Pedro, negou que tivesse tido aula por três vezes diante da supervisora de ensino: nunca vi este cara antes… Outros nove fugiram sem dar notícia e não compareceram à prova final: o Calvário. O mais novo e bobinho, João, foi até lá, mas não fez nada para impedir que os guardas matassem o professor. Se considerarmos João , com boa vontade, o único aprovado, teremos uma média de êxito de 8.33%, baixa demais para os padrões das Delegacias de Ensino e alvo de demissão sumária por justa causa. O professor morreu e, para quem acredita, voltou para uma recuperação de férias. Reuniu os reprovados e disse: mais uma chance. Um dos alunos , Tomé, pediu para colocar o dedo no diploma do professor para ver se era de verdade. Primeira pergunta do líder da turma, Pedro: “Senhor, é agora que vais restaurar o reino de Israel?” Ou seja, o melhor aluno não aprendeu nada! Esta pergunta mostra o oposto da aula dada, pois ele achou que o curso tinha sido sobre política e, na verdade, tinha sido sobre Teologia… Objetivos não atingidos: 100% ! Novos milagres, mais 40 dias de feedback, apostilas, recuperação, reforço de férias. Final de curso pirotécnico: subiu ao céu entre nuvens e anjos assistentes-pedagógicos disseram que o mestre tinha ido para a sala dos professores eterna e não mais voltaria. O curso estava encerrado, todas as lições tinham sido dadas para aquela nata de 11 homens. O que eles fizeram? Foram se esconder numa casa, todos apavorados. O mestre mandou um módulo auto-instrucional de reforço, o Espírito Santo, um anabolizante. Só então, com uma força externa, eles começaram a entender, e finalmente tiveram aquela famosa reação bovina: HUMMMM…
Bem, se Jesus teve tantos insucessos apesar de condições tão boas, a senhora quer ser mais do que Ele? Hoje eu diria para qualquer profissional: faça o máximo, mas apenas o máximo, e deixem o resto por conta do resto. A frase parece autista, mas é muito importante. Nós temos um limite: a vontade do aluno, da instituição e da sociedade como um todo. Não transformamos nada sozinhos, mas transformamos. O primeiro passo é a vontade. O segundo começa daqui a pouco, naquela sala difícil, com aquela turma sentada no fundo e naqueles angustiantes dez minutos que você vai levar para conseguir fazer a chamada… Vamos lá?

Professor Farnsworth - Futurama

sábado, 9 de maio de 2015

A DIFÍCIL ARTE DE ESTUDAR


Segundo texto de Paulo Victor no Blog

Ainda me surpreendo com algumas pessoas que acham que estudantes não fazem nada, ou “só estudam”, numa visão reducionista, como se fosse algo que não exigisse qualquer esforço.
Estudar cansa, por vezes dói, o braço, as costas, dá câimbras, têm horas que parece que a circulação do pé vai embora, sem falar em dores de cabeça, problemas de postura, insônia, pernilongos, calor, tédio, leituras obrigadas, etc.
Estudar, ler, não é só moleza e maravilhas como muitos pensam, requer concentração, dedicação, superação, aprender é um processo cansativo, demorado. Quem estuda, pensa, concorda, discorda, decora, repensa, cria, recria, critica e elogia. Conhecimento é processo, não vem da noite para o dia, é construção, desconstrução e reconstrução do pensar o tempo todo. Tudo isso se faz necessário para que não fiquemos somente na mera reprodução, para que não congelemos no mais do mesmo, mas que atuemos com vontade, dignidade e curiosidade. Que o ler e o estudar façam parte do caminho para libertar a si e ao próximo.
Em suma, diria que em algumas situações estudar não é só trabalho, é muito trabalho! Estudar é “ralar”, principalmente para aqueles que fazem com seriedade e compromisso. Parece-me que subestimam demais a "difícil arte que é" estudar.

A difícil arte de estudar...