sábado, 9 de maio de 2015

A DIFÍCIL ARTE DE ESTUDAR


Segundo texto de Paulo Victor no Blog

Ainda me surpreendo com algumas pessoas que acham que estudantes não fazem nada, ou “só estudam”, numa visão reducionista, como se fosse algo que não exigisse qualquer esforço.
Estudar cansa, por vezes dói, o braço, as costas, dá câimbras, têm horas que parece que a circulação do pé vai embora, sem falar em dores de cabeça, problemas de postura, insônia, pernilongos, calor, tédio, leituras obrigadas, etc.
Estudar, ler, não é só moleza e maravilhas como muitos pensam, requer concentração, dedicação, superação, aprender é um processo cansativo, demorado. Quem estuda, pensa, concorda, discorda, decora, repensa, cria, recria, critica e elogia. Conhecimento é processo, não vem da noite para o dia, é construção, desconstrução e reconstrução do pensar o tempo todo. Tudo isso se faz necessário para que não fiquemos somente na mera reprodução, para que não congelemos no mais do mesmo, mas que atuemos com vontade, dignidade e curiosidade. Que o ler e o estudar façam parte do caminho para libertar a si e ao próximo.
Em suma, diria que em algumas situações estudar não é só trabalho, é muito trabalho! Estudar é “ralar”, principalmente para aqueles que fazem com seriedade e compromisso. Parece-me que subestimam demais a "difícil arte que é" estudar.

A difícil arte de estudar...

quarta-feira, 6 de maio de 2015

Relato de experiência do Ato Político em Curitiba - 29/04/2015

"O preço a pagar pela tua não participação na política é seres governado por que é inferior"
Platão
 Faz exatamente uma semana que estive em Curitiba no protesto dos professores do estado contra o confisco da previdência dos servidores. Para a maioria das pessoas que nunca foram a um ato político, a ideia de protestar pode parecer um pouco negativa. Isso é normal, é uma construção cultural complexa que está relacionada com a boa conduta, com o ser exemplo, ser cidadão de bem e etc. não quero me ater a essa questão agora. O que pretendo é fazer um relato pessoal do que vi e aprendi na prática, no último 29 de Abril de 2015.
Um ato político, embora seja liderado por um grupo de interesse, nesse caso os professores, não deixa de ser uma luta pelos direitos da maioria, por isso, é muito comum a participação de outros grupos além dos diretamente afetados, participaram do ato anarquistas, levantes da juventude, partidos políticos, movimento sem teto do centro, juventude marxista, policiais infiltrados entre outros. 
Aqueles que já conhecem a postura da policia militar de outros atos frequentados se previnem, levam mascaras, leite, vinagre, óculos de natação, luvas. Relatar isso é importe porque uma das principais táticas do governo para legitimar a ação da polícia é dizer que havia indivíduos/vândalos que não pertenciam ao movimento... Bom, em qualquer Ato certamente haverá grupos de apoio ao movimento! Logo, podemos perceber que essa justificativa utilizada pelos governantes acaba sendo uma desculpa esfarrapada, que só convence quem nunca foi a um protesto...
O governador Beto Richa (PSDB), que tem maioria na Alep (Assembleia Legislativa do Paraná), sabia que conseguiria a aprovação do projeto via votação, por isso blindou o prédio com centenas de policiais. A impressão que tínhamos era a de que toda a tropa de choque do estado do Paraná estava em Curitiba no dia 29!
 A multidão em frente à Alep fazia pressão por meio de palavras de ordem para que a votação fosse barrada/anulada, porém uma tomada do prédio via invasão, como ocorreu no inicio do ano seria impossível, devido ao grande número de policias bem equipados/armados e seus também numerosos cachorros de guarda.
Eram mais ou menos 15:45 da tarde, a votação continuava rolando. As pessoas do lado de fora, gritavam, cantavam, dançava, faziam pressão. Nesse momento eu estava bem próximo da barreira policial. Algumas pessoas da linha de frente tinham tampas de panelas nas mãos, provavelmente para fazer barulho. Ninguém esperava por ação violenta naquele momento, não deu pra entender direito o  que aconteceu, mesmo estando bem próximo (Uma amiga disse, que o que motivou a ação policial foi o fato de uma policial ter tentado dar uma borrachada nela, e ela segurou o cassetete, mas isso é um relato, não vi pessoalmente... As primeiras bombas foram lançadas, inclusive uma explodiu bem do meu lado, me causando três machucados na perna (e olha que eu estava de calça!) e um zunido no ouvido. Eram bombas de gás... Na mesma hora você se sente horrível, chora sem querer, espirra loucamente, tem que correr mesmo sem saber direito pra onde, porque é impossível ficar no lugar onde está. Nesse momento os mais velhos que estavam na linha de frente foram os que mais sofreram. Vi um homem de uns 45 anos mais ou menos ter uma convulsão na minha frente, professoras de idade parecida passando muito mal, tendo que ser carregadas por pessoas mais jovens.
Bom, o revide por parte dos manifestante, embora de forma desigual em relação à força policial, é quase automático! Nesse momento a revolta bate forte e a adrenalina vai mil.
 
A ação policial (bombas, spray de pimenta, balas de borracha, bombas lançadas via helicóptero), durou quase duas horas, um dos caminhões da APP sindicato (Associação dos Professores do Paraná) foi confiscado. Tivemos centenas de feridos que foram atendidos de forma improvisada no prédio da prefeitura de Curitiba.



Ass: Danício Soares de Lima - Professor de Geografia no Estado do Paraná.


 
 
 

Lição prática de política ou o mito da não violência, uma reflexão


É lindo ver as pessoas de bem falando sobre manifestações. Houve um tempo (recente, diga-se de passagem) em que protestar era quase crime, hoje já se pode, porém segundo essas pessoas, deve se protestar de forma pacifica. O mais curioso é que essas mentes só consideram como violência a agressão física ou a destruição de patrimônio. Não se considera como violência, a violência política, a violência moral, a violação dos direitos, a diminuição das conquistas da sociedade, a tortura psicológica de uma crise...
Temos um sistema democrático (que nem é tão democrático assim), onde os representantes possuem autonomia em relação a seus representados. Quando aqueles resolvem tomar uma postura contrária a vontade do povo, qual a arma de luta do povo tem? Acaba restando poucas alternativas. Na maioria dos casos, a violência é uma reação a uma ação violenta.