domingo, 29 de dezembro de 2013

NIETZSCHE - Dicas para a guerrilha filosófica

"Em se tratando de assuntos humanos, não é bom que as coisas melhores agradem a maioria. A multidão é argumento negativo"
Sêneca
A ideia. Essa palavra aparentemente sem valor, é na verdade o que "motiva" a história! 
Em nosso dia a dia, o convívio com a diversidade é em grande parte brindado com a impaciência. Respeitar o outro, suas convicções, psicologia, atitudes com bom humor é algo bem dificil e incomum. Muitas vezes somos tentados a "mostrar a verdade", impor nossa visão de mundo (diga-se de passagem, sempre mais sofisticada, lógico!) às pessoas que ainda não alcançaram esse "estágio".  
Tal luta é um erro, e baseio esta afirmação em Nietzsche. É na obra Além do Bem e do Mal , mais precisamente no aforismo de nº 25, que esse grande filósofo nos indica a melhor maneira de proceder a "guerrilha filosófica". A ele:
Friedrich Wilhelm Nietzsche - (1844-1900) Filósofo, poeta, filólogo, músico e escritor alemão. Seu pensamento influenciou profundamente o pensamento do século XX. A partir dele, passou-se a ver a religião, a moral, a cultura e a ciência por um novo prisma. Fonte: http://www.nietzsche-news.org 
" Sede prudentes, filósofos, amigos do conhecimento, e preservai-vos do martírio, preservai-vos do sentimento 'por amor à verdade'! Preservai-vos da autodefesa! A vossa consciência perde com isso toda a inocência e neutralidade hábil, tornando-vos obstinados perante as objeções e o pano vermelho (alusão à tourada). Torna-vos-eis estúpidos, bestas e touros, quando na luta com o perigo, a difamação, a suspeita, o ostracismo e consequências ainda piores da inimizade, tiverdes por fim de acabar por desempenhar o ingrato papel de defensores da verdade na terra, como se 'a verdade' fosse uma pessoa tão inocente e inepta que precisasse de defensores! Principalmente de vós, cavaleiros de tristíssima figura (alusão a Dom Quixote), vós, meus tecelões das teias de aranha do espírito! Porque sabeis perfeitamente que é indiferente que sejais vós quem tem razão e igualmente que nenhum filósofo teve ainda razão e que cada pequeno ponto de interrogação que colocais à frente das vossas palavras e doutrinas favoritas (e ocasiolnalmente à frente de vós mesmos) encerra uma veracidade mais digna de louvores que todos os vossos acusadores e juízes! Ponde-vos antes de lado! Fugi para a solidão! Conservai a vossa máscara e perspicácia para que vos confundam com os outros! Ou - quem sabe? - para que vos receiem um pouco! Cercai-vos de homens que sejam como um jardim ou como música soando sobre as águas ao cair da noite, quando o dia se converte em recordação. Escolhei a boa solidão, a solidão livre, frívola e ligeira, aquela que vos dá o direito de permanecerdes bons, num sentido qualquer!

Para saber mais sobre autor

        

terça-feira, 17 de dezembro de 2013

POESIA E REFLEXÃO

Mude

Mas comece devagar, porque a direção
é mais importante que a velocidade.
Mude de caminho, ande por outras ruas,
observando os lugares por onde você passa.
Veja o mundo de outras perspectivas.
Descubra novos horizontes.

Não faça do hábito um estilo de vida.

Ame a novidade.
Tente o novo todo dia.
O novo lado, o novo método, o novo sabor,
o novo jeito, o novo prazer, o novo amor.
Busque novos amigos, tente novos amores.
Faça novas relações.
Experimente a gostosura da surpresa.
Troque esse monte de medo por um pouco de vida.
Ame muito, cada vez mais, e de modos diferentes.
Troque de bolsa, de carteira, de malas, de atitude.

Mude.
Dê uma chance ao inesperado.
Abrace a gostosura da Surpresa.

Sonhe só o sonho certo e realize-o todo dia.

Lembre-se de que a Vida é uma só,
e decida-se por arrumar um outro emprego,
uma nova ocupação, um trabalho mais prazeroso,
mais digno, mais humano.
Abra seu coração de dentro para fora.

Se você não encontrar razões para ser livre, invente-as.

Exagere na criatividade.
E aproveite para fazer uma viagem longa,
se possível sem destino.
Experimente coisas diferentes, troque novamente.
Mude, de novo.
Experimente outra vez.
Você conhecerá coisas melhores e coisas piores,
mas não é isso o que importa.
O mais importante é a mudança,
o movimento, a energia, o entusiasmo.

Só o que está morto não muda!
 
Edson Marques

quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

KANT E A QUESTÃO DA MENORIDADE

(...) Os adultos, tal qual as crianças, caminham vacilantes e ao acaso sobre a terra, sem saber de onde vêm  nem para onde vão! Agem sem objetivos determinados e deixam-se governar, como crianças, por meio de biscoitos, bolos e vara de marmelo. Ninguém acredita que seja assim, mas na minha opinião, não há verdade mais palpável.  Goethe

Nem sempre os mais velhos possuem a razão de fato. Esta afirmação pode parecer absurda para alguns, sobretudo para os mais velhos, que se apoiam no contrário desse argumento para justificar seu poder de influência nas decisões alheias. Se você disser algo do tipo para algum familiar, tendo estes perfis conservadores, certamente te acusarão de rebeldia e revolução, mas e se seu argumento estiver baseado em Immanuel Kant, um dos maiores filósofos da modernidade? Aqui, algumas coisas mudam...

Immanuel Kant (1724 - 1804) Filósofo prussiano (nessa época a Alemanha ainda não era um país). Versado em Geografia, Física e Matemática é também considerado o último grande filósofo da idade moderna.  


A questão da maioridade

Para Emmanuel Kant, não basta ter 21 anos de idade para ser considerado adulto. Para esse filósofo, a idade adulta está relacionada à autonomia de pensamento, ao grau de esclarecimento, ao uso razão.
Para esse filósofo, o homem é o responsável por sua saída da menoridade, o que ele define como a incapacidade do indivíduo de fazer uso de seu próprio entendimento. Como bom iluminista, depositava no ser humano sua esperança de mudança de estado frente à natureza/mundo, um estado caracterizado pela morbidez/receio. Kant explica que a permanência do homem na menoridade se dá pelo fato deste não ousar pensar. A covardia e a preguiça são as causas que levam os homens a permanecerem na menoridade. Um outro motivo é o comodismo. É bastante cômodo permanecer na área de conforto. É cômodo que existam pessoas e objetos que pensem e façam tudo e tomem decisões em nosso lugar. É mais fácil que alguém o faça, do que fazer determinado esforço, pois já existem outros que podem fazer por mim. Os homens quando permanecem na menoridade, são incapazes de fazer uso das próprias pernas, são incapazes de tomar suas próprias decisões e fazer suas próprias escolhas.
Mas como se libertar do comodismo? Através da reflexão, a partir de um auto questionamento. E o processo como se dá? Através de crises particulares (existenciais talvez!) e movimentos de resistências, pois serão muitos os que tentarão te dissuadir.
O legal dessas ideias está no fato delas poderem ser aplicadas a diversas questões do nosso dia a dia como religião, política, opinião, vida. Passar bem!

terça-feira, 8 de outubro de 2013

Cuba - Algumas considerações

"Esta noite milhões de crianças dormirão na rua, mas nenhuma delas é cubana" 
Fidel Castro

Se você quiser saber mais sobre Cuba, perceberá, numa breve pesquisa, que a informações sobre essa Ilha são de certa forma escassas. Geralmente estão em livros ou documentários protegidos por copy right, o que dificulta ainda mais o processo.  Por conta disso, resolvi postar aos leitores do Blog um resumo do livro "A Ilha" de Fernando Morais. Mesmo sendo um obra de 1976, apresenta muitas curiosidades sobre o funcionamento da ilha; sua cultura, seu povo, sua politica, cotidiano e etc. ainda válidos para o entendimento desse curioso país.
Fernando Morais - Nascido em Mariana, Minas Gerais, em 1946, é jornalista. Trabalhou no Jornal da Tarde, na revista Veja e em várias outras publicações da imprensa brasileira. Recebeu três vezes o prêmio Esso e quatro vezes o prêmio Abril de jornalismo. Foi deputado e secretário da Cultura e da Educação do Estado de São Paulo. Fonte: www.fernandomorais.com.br


Cap. 1 - O cotidiano
Em Cuba, o turismo ocupa o terceiro lugar como fonte de divisas para ilha, ficando atrás somente do Tabaco e do Açúcar, respectivamente. O processo de reabertura da ilha se deu a partir de 1974. Os atrativos pré revolução (cassinos, prostituição, drogas) foram extintos. O turismo é movido pela beleza natural da Ilha, suas praias e etc. O estado domina 96% do PIB.

Cap. 2 – Cultura / Relações com o mundo
A política editorial de cubana não observa os padrões internacionais de direitos autorais. Diversas obras são traduzidas e editadas sem o pagamento de royalts, prática que chamam de “fuzilamento de livros”.
São abertos a filmes estrangeiros, com predominância para os do Leste Europeu. São excelentes produtores de documentários.
O Beisebol é o esporte nacional. As duas coisas que fazem a ilha parar são: 1. Final do campeonato. 2. Novela (principalmente as da rede Globo)
Em Cuba o esporte é amador. Não há profissionais. Os atletas são assalariados de diversas áreas que folgam em dias de treino.  3 anos após a amadorização do esporte, a Ilha obteve títulos mundiais.
A religião católica caminha em paz com a revolução, “contanto que os padres tratem apenas de religião” (palavras de Fidel Castro).    

Cap. 3 – O racionamento
Alguns gêneros alimentícios são racionados. A população só tem o direito a uma porção determinada, porém o preço é acessível a todos. É uma estratégia para se distribuir a produção agrícola entre os habitantes (em torno de 10 milhões). A distribuição e comercialização ficam a cargo do ministério do interior. Cada supermercado só pode vender aos consumidores locais.
A total dependência da economia americana foi sentida a partir de 1961. A partir desta data, a Rússia  assume o papel econômico dos Estados Unidos.

Cap. 4 – Um país sem favelas
As disparidades de renda são mínimas. Comparados aos países capitalistas, o piso e o teto salarial em Cuba são próximos.
A solução do problema da falta de moradia era o grande objetivo da reforma urbana na Ilha. Dentre as medidas adotadas estão: a expropriação, a construção de conjuntos habitacionais e a criação das micro-brigadas para construção civil. Estas, são grupos compostos por voluntários de diversas áreas de atuação (padeiros, professores, operários), com o objetivo de construir casas para a população sem teto (uma sugestão do próprio Fidel Castro). Foi a solução encontrada para o déficit habitacional, embora ainda não resolvido inteiramente. Cuba é o único país da América Latina que não possui favelas. 

Cap. 5 – A nova escola
Em 1959, 35% da população da ilha era analfabeta. Em 1975 esse índice era de apenas 2%. Isso graças as “brigadas alfabetizadoras”, grupos compostos por estudantes e trabalhadores (mais de 100 mil) para erradicar o analfabetismo.
A gratuidade do ensino em todos os níveis foi instituída em 1961. Compreende além das aulas, da infra-estrutura e transporte, também alimentação e material de apoio.
Dentre as principais mudanças ocorridas através da revolução na área da educação, podemos citar a criação dos colégios secundários integrais rurais, que são escolas onde os jovens aliam o estudo e o trabalho no campo.  Com essa medida, é possível a produção de cítricos, arrebanhamento de mão de obra qualificada, aliança entre a teoria e a prática.

Cap. 6 – A saúde
A medicina preventiva de Cuba não se deu por acaso. A saída de médicos cubanos para os EUA atingiu diretamente a população, a prevenção passou a ser uma medida para que as pessoas não precisassem dos médicos. A saúde na Ilha é gratuita, assim como os remédios. Para formar-se, o estudante de medicina estuda 11 anos, o que inclui graduação, estágio e serviço na zona rural. Cuba possui um dos menores índices de mortalidade infantil do mundo.

Cap. 7 – A Imprensa
Liberdade de imprensa é um conceito burguês. A imprensa serve aos donos do poder. Já que em Cubam o poder está nas mãos do proletariado, a mídia serve a estes (pg. 101). O restante do capítulo é usado para síntese dos conteúdos midiáticos cotidianos da Ilha.

Cap. 8 – A mulher
O machismo é um sentimento bem presente na sociedade cubana, tão forte que chega a atrapalhar o processo de inserção da mão de obra feminina na vida produtiva. Com o objetivo de vencer essa barreira, o próprio Fidel Castro em seus discursos procura enfatizar o valor da mulher na sociedade, a importância do respeito a elas, de sua participação na vida política e produtiva.

Cap. 9 – Eleição – Justiça
As eleições pós 1959 foram realizadas na Província de Matanzas em 1974. Consistiu na escola de delegados regionais, uma forma de descentralização de algumas responsabilidades como educação, lazer, saúde e etc.
A justiça precisou de uma reforma em sua constituição, pois a anterior trazia elementos não condizentes com a Revolução, alguns desses herdados do tempo da colonização. O roubo é severamente intolerado, o esquema judicial é composto por juízes regionais que são eleitos pelo povo. As prisões são “abertas”, o trabalho obrigatório. Além dos casos judiciais cotidianos, os juízes também podem investigar o processo revolucionário, investigando perseguições particulares ou coisa do tipo.

Cap. 10 – Reforma agrária, Economia
A reforma agrária em Cuba foi uma promessa pré Revolução. Tomado o poder, o estado instituiu o limite máximo para a posse de terras. Partes das áreas agricultáveis estão nas mãos do estado. A produção se concentra principalmente na cana de açúcar, no tabaco e nos cítricos. Só açúcar garante praticamente 50% do PIB da Ilha. A economia cubana passa por uma industrialização ainda tímida, com ajuda de países da URSS e alguns Europa Ocidental. Tem o Japão como um dos principais parceiros comerciais. 

terça-feira, 16 de julho de 2013

AZIZ AB´SABER, UM GEÓGRAFO BRASILEIRO

"Saber muito não lhe torna inteligente. A inteligência se traduz na forma como você recolhe, julga, maneja, e sobretudo, onde e como aplica esta informação". Carl Sagan

Se você assiste televisão de vez em quando, vai perceber que nos telejornais quando o assunto é ciência e tecnologia as descobertas são quase sempre de pesquisadores americanos ou europeus. Será que não se faz ciência no Brasil? Se não, o que justifica os gastos bilionários com as universidades públicas como a USP, UNESP, UNICAMP? Se sim, por que não há divulgação? É uma pergunta pertinente. Isso tem a ver com a colonização, não aquela territorial, que objetivava o saque de metais preciosos, mas sim uma colonização da mente, uma auto submissão intelectual por parte da mídia nacional, um assunto que pode ser tratado com mais atenção em outra oportunidade.
O Brasil é um país incrível, com pessoas incríveis. Isso tanto na ciência quanto na música, na literatura, cinema e etc. Hoje, especificamente, cito um brasileiro em especial. Que foi um grande geógrafo, reconhecido, embora não da maneira como realmente merece. Falo de Aziz Nacib Ab’Saber (1924 - 2012).

   

quinta-feira, 20 de junho de 2013

Montaigne

“Há amigo que é mais chegado que um irmão”.
Salomão*

“A faculdade de granjear amizades é de longe a mais eminente entre todas aquelas que contribuem para a sabedoria da felicidade”.
Epicuro


Epicuro e Salomão embora tenham vivido em épocas, locais e culturas  totalmente diferentes (Epicuro, filosofo grego século III a.C. / Salomão, rei de Israel, século X a.C)  convergiam no aspecto da amizade. Defendiam em comum a virtude da amizade, a amizade como virtude.
Conhecer novas pessoas, fazer novos amigos é uma experiência quase sempre muito boa. Principalmente quando trocamos informações, experiências, visões de mundo. Com esse objetivo, gostaria de lhe "apresentar um amigo" de nome Michel, mais conhecido pelo seu sobrenome: Montaigne.

Michel de Montaigne (1533 - 1592) - Filósofo, político e escritor francês.  É  considerado o  inventor  do ensaio pessoal. Possuía, já no século XVI, uma visão sofisticada do mundo e das pessoas.

 SOBRE O ARREPENDIMENTO - MONTAIGNE (TRECHO) 


Os outros formam o homem, eu o relato, e represento um em particular, bem malformado; e o qual se tivesse de moldá-lo de novo, faria de fato bem diferente do que ele é. Mas está feito. Ora, os traços de minha pintura não se extraviam, embora se modifiquem e diversifiquem. O mundo não passa de um perene balanço: todas as coisas se movimentam incessantemente, a Terra, os rochedos do Cáucaso, as pirâmides do Egito; tanto com o movimento geral quanto com o seu. A própria constancia não é outra coisa além de um movimento mais lânguido. Não posso ter certeza do meu objeto: ele segue confuso e cambaleante, com uma embriaguez natural. Pego-o neste ponto, como ele é, no instante em que me interesso por ele. Não pinto o ser, pinto a passagem: Não a passagem de uma idade a outra, ou, como diz o povo, de sete em sete anos, mas de dia em dia, de minuto em minuto. Devo adaptar minha história ao momento. Breve poderei mudar, não só por acidente mas também por intenção. É um registro de ocorrências diversas e mutáveis, de ideias indecisas, e se calhar, contrárias: seja que sou outro eu mesmo, seja que aprendo os assuntos por outras circunstancias e considerações. Tanto assim que talvez me contradiga, mas, como dizia Dêmades, não contradigo a verdade. Se minha alma pudesse se firmar, eu não experimentaria mas me decidiria: ela esta sempre em aprendizagem e em prova. Proponho uma vida humilde e sem lustro: pouco importa. Pode-se ligar toda a filosofia moral tanto a uma vida ordinária e privada como a uma vida de mais rico estofo: cada homem traz a forma inteira da condição humana.




Texto integral em: 
ou também em:

quarta-feira, 22 de maio de 2013

Sobre a internacionalização da Amazônia

"Não quero flores no meu enterro, pois sei que vão arrancá-las da floresta".
 Chico Mendes      
Na mídia em geral, parece haver alguns "assuntos intermitentes", são temáticas que surgem, tomam conta do imaginário popular, e de repente desaparecem de nossas mentes, devido nossa curta memória, mas também e principalmente, porque uma novidade mais impactante preenche o espaço da primeira. 
A internacionalização da Amazônia é um desses assuntos, que de vez em quando ouvimos falar. Se é realmente verdade que nos mapas norte americanos e europeus nossa floresta aparece como sendo patrimônio mundial eu, particularmente, não sei.
  Quando questionado sobre o assunto, o senador Cristovam Buarque deu a melhor das respostas. Uma mensagem incrível que merece ser divulgada. 



Constatação de Sêneca - Um desafio para todos nós?


“Epicuro disse: ‘Ninguém morre diferente do que nasceu’. Isto é falso! Morremos piores do que nascemos. E a culpa é nossa, não da natureza. Esta tem o direito de se lamentar conosco: ‘E agora’?, diz, ‘eu gerei a todos sem desejos, sem medos, superstições, sem perfídia, sem outros males: saiam da vida como entraram’.  Sêneca. 

Lucius Annaeus Sêneca foi um importante escritor e filósofo da época do Império Romano. Nasceu na cidade de Córdoba (província romana da Hispânia) em 4 a.C. Sêneca faleceu na cidade de Roma no ano de 65 d.C. Foi um importante representante do estoicismo (doutrina filosófica que defende a ideia de que todas as coisas são regidas por uma lógica universal). Era um defensor da vida simples, da ética e da reflexão.




Fontes:

SêNECA. Aprendendo a viver: cartas a Lucílio. Ed. LP&M Pocket, vol. 662. Porto Alegre, 2010. (pg. 27)

http://www.suapesquisa.com/biografias/seneca.htm


http://literatortura.com/2013/04/15/o-tempo-que-a-vida-tem-seneca-e-o-valor-inestimavel-de-cada-segundo/

sábado, 4 de maio de 2013

Recordações Fordistas

"Se o dinheiro for a sua esperança de independência, você jamais a terá. A única segurança verdadeira consiste numa reserva de sabedoria, de experiência e de competência". Henry Ford

Algumas lembranças da infância nos acompanham por toda nossa vida. No meu caso, não esquecerei o dia em que visitei o local onde meu pai trabalhava. Com sete anos de idade, qualquer coisa na companha do pai é simplesmente fantástico. Um dia só dos homens...
Esse dia se deu em algum mês do ano de 1994 (quando a gente é criança não tem o costume de guardar datas como os adultos). O lugar está até hoje praticamente intacto, localizado no Km 28 da Rodovia Raposo Tavares, em Cotia, São Paulo. O nome da empresa era Nogan, e atuava no ramo de metalurgia, borracha e etc. Sua organização era do tipo fordista. Um sistema de gestão idealizado pelo empresário americano Henry Ford que revolucionou a produção industrial no século XX.

Henry Ford (1863 - 1947) empresário americano inventor do fordismo, sistema de produção e gestão que evolucionou a indústria do século XX. Sua grande descoberta esteve em conceber que a  produção em massa pode gerar consumo em massa. Fez de seus funcionários consumidores.
Além de grande empresário, Henry Ford tinha outra ocupação; difamar judeus. Ford escrevia regularmente artigos onde denunciava a maquiavelidade do povo hebreu,  teoria que serviu de inspiração para Hitler e o Nazismo. Os artigos compilados podem ser achados numa obra chamada "O judeu internacional", assinada pelo autor. Fonte: http://www.brasilescola.com/biografia/henry-ford.htm  

Como principais características do fordismo, temos a produção em massa, pouco diversificada, proximidade entre patrão e funcionário, união entre trabalhadores (futebol com o pessoal do serviço), o dia com o filho (que, de forma, servia para a reprodução do sistema, afinal, pai soldador, filho de soldador).


A política privatizadora de FHC


Em meados da década de 1990, o Brasil passa por intensas mudanças econômicas, resultado de acordos assinados com os Estados Unidos, conhecido como Consenso de  Washington. Dentre as propostas do acordo temos: a industria nacional passa a competir de igual para igual com sólidas empresas internacionais, sem a intervenção do Estado na economia. O resultado inclui privatizações, inundação de produtos importados no mercado brasileiro, moeda em alta, inflação, desemprego, crise. O idealizador dessa transformação chama-se Fernando Henrique Cardoso, o FHC. 
Nesse contexto, impossibilitada de competir com produtos importados, a Nogan onde meu pai trabalhava abriu falência em 1996; não só ela, mas também um grande número de pequenas e médias empresas brasileiras.   

sábado, 27 de abril de 2013

O CAMPO E A CIDADE, A MULHER, O HOMEM E O CONSERVADORISMO. UMA HISTÓRIA

A literatura, se vista por um olhar atento, possui o papel de construir sólidas ideias. O Blog do Danicio é um espaço que procura valorizar esse conhecimento, e sempre que possível, abrirá espaço para tal. Abaixo,  segue o primeiro texto de Paulo Victor, um de nossos colaboradores. Boa leitura.


Um trabalhador rural, casado, de 35 anos, de nome Tião, decide ir trabalhar na cidade em busca de melhores condições de vida, trabalhar de sol a sol no campo já não era mais sua única opção, a cidade crescia, as estradas estavam melhorando, o comércio e a indústria estavam contratando, entre seus amigos muitos já estavam trabalhando na cidade, e disseram a ele que só o fato de trabalharem na sombra já os agradava demais.
Já depois de alguns meses trabalhando numa indústria, ele começa a passar num barzinho um pouco depois do expediente, para beber com os amigos, lá ele vê uma mulher na mesa ao lado, fumando, bebendo e com o cabelo colorido, ele logo pensa: “essa é mais uma vadia”, mas, pouco depois chega outro de seus amigos da fábrica, e lhe apresenta a moça da mesa ao lado, era sua irmã, Tião se surpreende e reflete consigo mesmo: “mas essa é a irmã de meu colega, foi ela quem o criou após a morte de sua mãe, foi ela quem o educou mesmo com tantas dificuldades pelas quais eles passaram”. Tião começa então a transformar sua visão sobre a mulher e tudo o que ele vê nela, suas roupas, suas atitudes, seu comportamento e seu caráter.


Campo e a cidade segundo crianças da escola Padre José de Minas Gerais. Fonte: http://escola-padre-jose.blogspot.com.br/2010_04_13_archive.html

Uma de suas melhores amigas de trabalho também o auxiliou, ela tinha no corpo o que ele chamava de “figuras”, mas ela explicou que era uma tatuagem, e que era uma homenagem ao próprio filho dela, essa experiência ajudou-o então a deixar de ver todas as mulheres tatuadas como vulgares, bandidas ou ex-presidiárias.
E o aprendizado não parou por ai, ele percebeu que a mulher não estava mais só presa ao trabalhado doméstico, afinal, havia mulheres trabalhando lado a lado com ele. E com isso a divisão sexual do trabalho foi de forma ‘natural’ tornando-se uma memória perdida na cabeça de Tião.
Enquanto ele andava pela cidade foi conhecendo diversas religiões, pois ele via igrejas, nomes, e buscava se informar sobre aquilo, observou então os diferentes papéis das mulheres nas diferentes religiões, viu como elas se vestiam, como se comportavam, etc.


Fonte: http://escola-padre-jose.blogspot.com.br/2010_04_13_archive.html
Quando Tião procurou diversão na cidade, ele encontrou um local para dançar, logo de início estranhou a ‘ousadia’ das mulheres dançando, seu conservadorismo pensou por ele: “São mulheres da vida”? Mas note-se que foi como pergunta e não como afirmação, sua forma de pensar estava mesmo mudando, para confirmar ele conversou com uma das moças que estavam dançando, percebeu que a forma como ela dançava não refletia nada sobre seu caráter ou sua profissão, ela estava ali para se divertir, e dançava de uma forma que, para alguém que só tinha experiências com danças de festa junina, realmente iria “estranhar”.
E isso tudo fez parte de grandes mudanças da vida da mulher no campo, se não no campo como um todo, pelo menos dentro da casa de Tião, sua relação com sua esposa Margarida também começou a mudar, ela inclusive adentrou um curso noturno e voltou a estudar (a cidade oferecia cursos, chances de se melhorar de condições, chances essas que Margarida não encontrava na roça, e que Tião percebeu que agora poderia oferecer a sua mulher). Com isso tudo Margarida foi percebendo que ela não precisava mais reprimir muitas de suas vontades e ou opiniões, eles (o casal) foram então avançando em muitos pontos, chegaram inclusive a entender os motivos do divórcio de uma conhecida deles, não pensaram mais somente pela cabeça conservadora pautada no homem, que uma mulher se divorcia de seu marido porque quer mais homens, ou por não ser uma boa companheira ou boa mãe.
Isso tudo serve, mesmo que de modo inicial, para mostrar que a aproximação pode quebrar preconceitos (pré-conceitos), que o distanciamento fomenta ideias infundadas, que estereótipos são constantemente criados sobre falsas impressões, evidenciando que a falta de contato só reforça diferenças, e diferenças essas que muitas vezes não precisam nem existir, ou nem existem mesmo.
Por fim, esperamos que nossa história ajude a entender, que histórias são só histórias, OU NÃO! E que tudo num texto está explicito, OU NÃO!

quarta-feira, 24 de abril de 2013

Meu amigo dengoso e a Indústria farmacêutica

"Dengue não tem Vacina. A vacina é a sua ação."
                                                    Governo do estado de São Paulo

Tenho um amigo que infelizmente pegou dengue. 
Bom, quando alguém tem gripe, dizemos que a pessoa está gripada. Quando tem resfriado, dizemos, que ela está resfriada. No caso da dengue, dizer que a pessoa está "dengosa" além de ser uma tentativa de neologismo, não deixa de ter um conteúdo sádico; nesse caso, perde-se o amigo mas não a piada... 
Como todos deveríamos saber, a dengue é transmitida por um mosquito, o Aedes Aegypti. Sua proliferação se dá em água parada. De tudo isso, o que mais me chama a atenção é que a doença é conhecida desde o século XVII, com o ocorrências em diversos países, porém até hoje, não há tratamento específico para sua cura.
Uma questão. Porque uma doença que acomete milhares de pessoas no mundo inteiro, conhecida a mais de três séculos, que pode inclusive matar sua vítima (caso da dengue hemorrágica) ainda não possui remédios exclusivos? Uma resposta possível, talvez esteja no fato da dengue ser uma doença de países pobres (subdesenvolvidos, em desenvolvimento, como quiser), uma questão básica de sanitarismo, e por conseguinte atingir principalmente uma população pobre.

A indústria farmacêutica


A indústria farmacêutica não está fora da lógica capitalista. Como qualquer outro ramo do mercado, sua produção está voltada ao consumo. Uma vez que determinado público não pode pagar por seus produtos, sinto muito, ficará sem o remédio. O que é mais preocupante é que para algumas doenças não existe nenhum tratamento, como é caso da dengue, ou mesmo da esquistossomose, a doença do caramujo, que embora conhecida a muitas décadas e acometer mais de 200 mi de pessoas no mundo (segundo a OMS, órgão da ONU para a saúde), só recentemente conheceu um tratamento especifico com o praziquantel. O contrário pode ser constatado quando falamos de outras enfermidades como, por exemplo: doenças cardíacas (comum nos estratos médios e altos da sociedade), que possuem um grande número remédios, de variados laboratórios.

A lógica farmacêutica é a lógica do lucro. Os altos investimentos requeridos para a elaboração sintética  de remédios (pesquisas) são repassados para o consumidor.  Algumas doenças, por serem mais lucrativas, recebem atenção especial.



Sobre a quebra de patentes


A patente é um mecanismo legal que garante ao pesquisador o monopólio de mercado (exclusividade no comércio) de determinado produto ou tecnologia desenvolvido. Ocorre que alguns remédios são de extrema importância para a população, e seu preço inviabiliza o tratamento dos doentes. Um exemplo, é o caso do "coquetel", usado no combate a aids.

No Brasil, a quebra de patentes não é uma novidade. Os remédios genéricos são resultado dessa política. Se por um lado, temos o acesso e a popularização de drogas antes caríssimas ao cidadão, por outro temos a pressão por parte dos grandes laboratórios, que prejudicados por tais políticas, deixam de  investir no país.

Vale lembrar que a quebra de patentes foi praticada e é defendida principalmente pelo Brasil, Índia e África do Sul; países do BRIC, que embora possuam economias de vultosas, apresentam também muitos contrastes sociais.